quarta-feira, 28 de outubro de 2009
terça-feira, 27 de outubro de 2009
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
Recomeça...
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças…
Miguel Torga
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
O «meu» Menino Jesus...
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
A Nuvem de Calças...
(fragmentos)
(...)
Ternos amantes!
Vós competis com o violino
e com timbales competem os boçais.
Mas como eu não podeis fazer?
Ser todo lábios, sem pesado corpo?
Das vossas salas de fausto,
do clube angelical membros preclaros,
vinde escutar, vinde saber.
Vinde, vós, que lábios folheais
como a cozinheira um livro de receitas.
Se quiserem,
serei apenas carne louca
e, como o céu, mudarei de tom,
se quiserem,
serei impecavelmente delicado,
não serei homem, mas uma nuvem de calças!
Não acredito que haja uma Nice florida!
Hoje de novo canto a glória
dos homens que o pecado fez malignos
e das mulheres gastas como um lugar-comum.
(...)
Que me importa Fausto,
deslizando com Mefistófeles
em foguetões feéricos no solho célico encerado!
Eu sei
que um prego no meu sapato
é mais terrível que a imaginação de Goethe!
Eu,
o de lábios dourados,
cujas palavras
renovam o espírito
e festejam o corpo,
vos digo:
a mais insignificante partícula de vida
tem mais valor que tudo o que escrevi.
(Tradução: Manuel de Seabra)
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Homem não chora...
Há Mais
Há mais de meia hora
Que estou sentado à secretária
Com o único intuito
De olhar para ela.
(Estes versos estão fora do meu ritmo.
Eu também estou fora do meu ritmo.)
Tinteiro grande à frente.
Canetas com aparos novos à frente.
Mais para cá papel muito limpo.
Ao lado esquerdo um volume da "Enciclopédia Britânica".
Ao lado direito —
Ah, ao lado direito
A faca de papel com que ontem
Não tive paciência para abrir completamente
O livro que me interessava e não lerei.
Quem pudesse sintonizar tudo isto!
Álvaro de Campos
(E não me lixem! Homem chora!)
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
O Amor quando se revela...
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer
Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!
Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...
Fernando Pessoa
quarta-feira, 3 de setembro de 2008

"The more you know the less you need to say."
Jim Rohn
"In the end, we will remember not the words of our enemies, but the silence of our friends."
Martin Luther King Jr.
"Our lives begin to end the day we become silent about things that matter."
Martin Luther King Jr.
"Of those who say nothing, few are silent."
Thomas Neill
sexta-feira, 16 de maio de 2008
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
Apontamento...
A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.
Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.
Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada.
E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.
Não se zanguem com ela.
São tolerantes com ela.
O que era eu um vaso vazio?
Olham os cacos absurdamente conscientes,
Mas conscientes de si mesmos, não conscientes deles.
Olham e sorriem.
Sorriem tolerantes à criada involuntária.
Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.
Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.
A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
Um caco.
E os deuses olham-o especialmente, pois não sabem por que ficou ali.
Álvaro de Campos
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
Entre o luar e o arvoredo...
Entre o desejo e não pensar
Meu ser secreto vai a medo
Entre o arvoredo e o luar.
Tudo é longínquo, tudo é enredo.
Tudo é não ter nem encontrar.
Entre o que a brisa traz e a hora,
Entre o que foi e o que a alma faz,
Meu ser oculto já não chora
Entre a hora e o que a brisa traz.
Tudo não foi, tudo se ignora.
Tudo em silêncio se desfaz.
Fernando Pessoa
sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
Assim falava Zaratrusta...
«Alguns não conseguem afrouxar as suas próprias cadeias e, não obstante, conseguem libertar os seus amigos.»
«Um homem tem que estar preparado para se queimar na sua própria chama: como se pode renovar sem primeiro se transformar em cinzas?»
quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
Natal...
Chove. É dia de Natal.
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal,
E o frio que ainda é pior.
E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.
Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho frio e Natal não.
Deixo sentir a quem quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés.
Fernando Pessoa, Obra Poética
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
If You Were A Sailboat...
If you were a cowboy I would trail you,
If you were a piece of wood I'd nail you to the floor.
If you were a sail boat I would sail you to the shore.
If you were a river I would swim you,
If you were a house I would live in you all my days.
If you're a preacher I'd begin to change my ways.
Sometimes I believe in fate,
But the chances we create,
Always seem to ring more true.
You took a chance on loving me,
I took a chance on loving you.
If I was in jail I know you'd spring me
If I was a telephone you'd ring me all day long
If I was in pain I know you'd sing me soothing songs.
Sometimes I believe in fate,
But the chances we create,
Always seem to ring more true.
You took a chance on loving me,
I took a chance on loving you.
If I was hungry you would feed me
If I was in darkness you would lead me to the light
If I was a book I know you'd read me every night
If you were a cowboy I would trail you,
If you were a piece of wood I'd nail you to the floor.
If you were a sail boat I would sail you to the shore.
If you were a sail boat I would sail you to the shore
Katie Melua - If You Were A Sailboat
«Haverá quem lhe chame Insensatez... Eu chamo-lhe Amor!»
terça-feira, 18 de setembro de 2007
As "comadres"

Diz o povo, talvez "escaldado", zangam-se as comadres sabem-se as verdades. Daqui se depreende que não é conveniente a proximidade nem a excessiva confiança com elas. É habitual vê-las ao fim da tarde, juntas, nas esplanadas, nos adros de igreja, nas soleiras das portas, desenferrujando as línguas e dando asas à imaginação. As "comadres" são como as cerejas, umas puxam as outras e não existem sozinhas. Pior que duas "comadres", fazendo "corte e costura" em alguém que passa , só mesmo três "comadres" competindo na novidade e na má língua. Em qualquer caso faz parte do folclore social encontrar estes seres "alinhavando" a vida de terceiros com "fio moral", tecendo "camisas de arame" a alguém que segundo elas se desnorteou. Não adianta pensar que este tipo de personagem está condenado a desaparecer devido ao viver urbano. Mesmo na cidade as "cuscas", abreviatura de coscuvilheiras, continuarão a existir e a controlar as idas e vindas do comum dos mortais.
Elas sabem tudo. Os serviços secretos deveriam ter um contacto permanente com estas agentes à paisana, esta polícia moral de saias, saberiam por certo coisas em primeira mão e aprenderiam a "nobre arte de espreitar". O problema são os constantes aumentos, as distorções, as conjecturas no vazio. Deduzir a partir de pouco é um exercício só para "profissionais " de nariz e olho apurado. A "comadre" não nasceu assim, teve de treinar muito. As "comadres" são mais poderosas e mais visíveis no meio pequeno, a aldeia, a vila, a pequena cidade. Estes pequenos núcleos reúnem as melhores condições ambientais para a reprodução desta espécie. E não são necessárias grandes condições de "trabalho" para as ver felizes, desancando no seu semelhante, "metendo água" quando nem tudo se viu ou se soube. As "comadres" não fazem jornalismo, nem ciência, quando não sabem inventam.
As suas críticas, o seu escárnio e maldizer são feitos em círculos pequenos, sempre condimentados com cobardia e uma pitada de hipocrisia. Depois servido à mesa do chá com as amigas e passado de boca em boca em forma de "bolinho" envenenado. È esta a sina de quem nada mais tem que fazer. A sua existência é de um tédio absoluto, passam a vida aquecendo ao sol e fazendo "tricot" na vida alheia. Língua afiada e mão na malha, eis o lema de quem tece histórias que não assina por baixo. Alguém que passa ou alguém de quem se lembram, são motivos suficientes para pôr a cabeça, de dois tempos, a funcionar. E depois é mais fácil viver a vida dos outros que saber lidar com o que se passa lá em casa. E uma "comadre" que se preze sabe dissimular as verdadeiras amarguras que lhe corroem a alma. Com o mal alheio posso eu bem, diz com ar de gente sábia.
(Texto original de Carlos Adaixo in http://www.freipedro.pt/tb/130700/opin1.htm)
Qualquer semelhança com virtualidades não é certamente coincidência.
terça-feira, 11 de setembro de 2007
Estou cansado

Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto —
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo...
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente; eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.
Álvaro de Campos
segunda-feira, 10 de setembro de 2007
Súplica

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.
Miguel Torga
quarta-feira, 22 de agosto de 2007
These Are The Days Of Our Lives
Sometimes I get to feelin'
I was back in the old days - long ago
When we were kids, when we were young
Things seemed so perfect - you know ?
The days were endless, we were crazy - we were young
The sun was always shinin' - we just lived for fun
Sometimes it seems like lately - I just don't know
The rest of my life's been - just a show
Those were the days of our lives
The bad things in life were so few
Those days are all gone now but one thing is true
When I look and I find I still love you
You can't turn back the clock, you can't turn back the tide
Ain't that a shame ?
Ooh, I'd like to go back one time on a roller coaster ride
When life was just a game
No use in sitting and thinkin' on what you did
When you can lay back and enjoy it through your kids
Sometimes it seems like lately - I just don't know
Better sit back and go - with the flow
'Cos these are the days of our lives
They've flown in the swiftness of time
These days are all gone now but some things remain
When I look and I find - no change
Those were the days of our lives yeah
The bad things in life were so few
Those days are all gone now but one thing's still true
When I look and I find, I still love you
I still love you
Written by Queen. Sung by Freddie Mercury.
terça-feira, 21 de agosto de 2007
Profecia...

Nem me disseram ainda
para o que vim.
Se logro ou verdade
Se filho amado ou rejeitado.
mas sei
que quando cheguei
os meus olhos viram tudo
e tontos de gula ou espanto
renegaram tudo
e no meu sangue veias se abriram
noutro sangue...
A ele obedeço,
sempre,
a esse incitamento mudo.
Também sei
que hei-de perecer, exangue,
de excesso de desejar;
mas sinto
sempre,
que não posso recuar.
Fernando Namora
terça-feira, 7 de agosto de 2007
Let Me Fall...
Let me fall
Let me climb
There's a moment when fear
And dreams must collide
Someone I am
Is waiting for courage
The one I want
The one I will become
Will catch me
So let me fall
If I must fall
I won't heed your warnings
I won't hear them
Let me fall
If I fall
Though the phoenix may
Or may not rise
I will dance so freely
Holding on to no one
You can hold me only
If you too will fall
Away from all these
Useless fears and chains
Someone I am
Is waiting for my courage
The one I want
The one I will become
Will catch me
So let me fall
If I must fall
I won't heed your warnings
I won't hear
Let me fall
If I fall
There's no reason
To miss this one chance
This perfect moment
Just let me fall
Josh Groban - Let Me Fall (From Cirque De Soleil)








