quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Recomeça...

Se puderes

Sem angústia

E sem pressa.

E os passos que deres,

Nesse caminho duro

Do futuro

Dá-os em liberdade.

Enquanto não alcances

Não descanses.

De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,

Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.

Sempre a sonhar e vendo

O logro da aventura.

És homem, não te esqueças!

Só é tua a loucura

Onde, com lucidez, te reconheças…

Miguel Torga

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

O «meu» Menino Jesus...


Num meio-dia de fim de primavera

Tive um sonho como uma fotografia.

Vi Jesus Cristo descer à terra.

Veio pela encosta de um monte

Tornado outra vez menino,

A correr e a rolar-se pela erva

E a arrancar flores para as deitar fora

E a rir de modo a ouvir-se de longe.

Tinha fugido do céu.

Era nosso demais para fingir

De segunda pessoa da Trindade.

No céu era tudo falso, tudo em desacordo

Com flores e árvores e pedras.

No céu tinha que estar sempre sério

E de vez em quando de se tornar outra vez homem

E subir para a cruz, e estar sempre a morrer

Com uma coroa toda à roda de espinhos

E os pés espetados por um prego com cabeça,

E até com um trapo à roda da cintura

Como os pretos nas ilustrações.

Nem sequer o deixavam ter pai e mãe

Como as outras crianças.

O seu pai era duas pessoas

Um velho chamado José, que era carpinteiro,

E que não era pai dele;

E o outro pai era uma pomba estúpida,

A única pomba feia do mundo

Porque não era do mundo nem era pomba.

E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.

Não era mulher: era uma mala

Em que ele tinha vindo do céu.

E queriam que ele, que só nascera da mãe,

E nunca tivera pai para amar com respeito,

Pregasse a bondade e a justiça!

Um dia que Deus estava a dormir

E o Espírito Santo andava a voar,

Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.

Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.

Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.

Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz

E deixou-o pregado na cruz que há no céu

E serve de modelo às outras.

Depois fugiu para o sol

E desceu pelo primeiro raio que apanhou.

Hoje vive na minha aldeia comigo.

É uma criança bonita de riso e natural.

Limpa o nariz ao braço direito,

Chapinha nas poças de água,

Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.

Atira pedras aos burros,

Rouba a fruta dos pomares

E foge a chorar e a gritar dos cães.

E, porque sabe que elas não gostam

E que toda a gente acha graça,

Corre atrás das raparigas pelas estradas

Que vão em ranchos pela estradas

com as bilhas às cabeças

E levanta-lhes as saias.

A mim ensinou-me tudo.

Ensinou-me a olhar para as cousas.

Aponta-me todas as cousas que há nas flores.

Mostra-me como as pedras são engraçadas

Quando a gente as tem na mão

E olha devagar para elas.

Diz-me muito mal de Deus.

Diz que ele é um velho estúpido e doente,

Sempre a escarrar no chão

E a dizer indecências.

A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.

E o Espírito Santo coça-se com o bico

E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.

Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.

Diz-me que Deus não percebe nada

Das coisas que criou

—"Se é que ele as criou, do que duvido" —

"Ele diz, por exemplo, que os seres cantam a sua glória,

Mas os seres não cantam nada.

Se cantassem seriam cantores.

Os seres existem e mais nada,

E por isso se chamam seres.

"E depois, cansados de dizer mal de Deus,

O Menino Jesus adormece nos meus braços

e eu levo-o ao colo para casa


..............................................................................


Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.

Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.

Ele é o humano que é natural,

Ele é o divino que sorri e que brinca.

E por isso é que eu sei com toda a certeza

Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.

E a criança tão humana que é divina

É esta minha quotidiana vida de poeta,

E é porque ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre,

E que o meu mínimo olhar

Me enche de sensação,

E o mais pequeno som, seja do que for,

Parece falar comigo.

A Criança Nova que habita onde vivo

Dá-me uma mão a mim

E a outra a tudo que existe

E assim vamos os três pelo caminho que houver,

Saltando e cantando e rindo

E gozando o nosso segredo comum

Que é o de saber por toda a parte

Que não há mistério no mundo

E que tudo vale a pena.

A Criança Eterna acompanha-me sempre.

A direção do meu olhar é o seu dedo apontando.

O meu ouvido atento alegremente a todos os sons

São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.

Damo-nos tão bem um com o outro

Na companhia de tudo

Que nunca pensamos um no outro,

Mas vivemos juntos e dois

Com um acordo íntimo

Como a mão direita e a esquerda.

Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas

No degrau da porta de casa,

Graves como convém a um deus e a um poeta,

E como se cada pedra

Fosse todo um universo

E fosse por isso um grande perigo para ela

Deixá-la cair no chão.

Depois eu conto-lhe histórias das cousas só dos homens

E ele sorri, porque tudo é incrível.

Ri dos reis e dos que não são reis,

E tem pena de ouvir falar das guerras,

E dos comércios, e dos navios

Que ficam fumo no ar dos altos-mares.

Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade

Que uma flor tem ao florescer

E que anda com a luz do sol

A variar os montes e os vales,

E a fazer doer nos olhos os muros caiados.

Depois ele adormece e eu deito-o.

Levo-o ao colo para dentro de casa

E deito-o, despindo-o lentamente

E como seguindo um ritual muito limpo

E todo materno até ele estar nu.

Ele dorme dentro da minha alma

E às vezes acorda de noite

E brinca com os meus sonhos.

Vira uns de pernas para o ar,

Põe uns em cima dos outros

E bate as palmas sozinho

Sorrindo para o meu sono


.......................................................................


Quando eu morrer, filhinho,

Seja eu a criança, o mais pequeno.

Pega-me tu ao colo

E leva-me para dentro da tua casa.

Despe o meu ser cansado e humano

E deita-me na tua cama.

E conta-me histórias, caso eu acorde,

Para eu tornar a adormecer.

E dá-me sonhos teus para eu brincar

Até que nasça qualquer dia

Que tu sabes qual é


......................................................................


Esta é a história do meu Menino Jesus.

Por que razão que se perceba

Não há de ser ela mais verdadeira

Que tudo quanto os filósofos pensam

E tudo quanto as religiões ensinam?


Alberto Caeiro

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

A Nuvem de Calças...


A NUVEM DE CALÇAS
(fragmentos)

(...)

Ternos amantes!
Vós competis com o violino
e com timbales competem os boçais.
Mas como eu não podeis fazer?
Ser todo lábios, sem pesado corpo?

Das vossas salas de fausto,
do clube angelical membros preclaros,
vinde escutar, vinde saber.
Vinde, vós, que lábios folheais
como a cozinheira um livro de receitas.

Se quiserem,
serei apenas carne louca
e, como o céu, mudarei de tom,
se quiserem,
serei impecavelmente delicado,
não serei homem, mas uma nuvem de calças!

Não acredito que haja uma Nice florida!
Hoje de novo canto a glória
dos homens que o pecado fez malignos
e das mulheres gastas como um lugar-comum.

(...)

Que me importa Fausto,
deslizando com Mefistófeles
em foguetões feéricos no solho célico encerado!
Eu sei
que um prego no meu sapato
é mais terrível que a imaginação de Goethe!

Eu,
o de lábios dourados,
cujas palavras
renovam o espírito
e festejam o corpo,
vos digo:
a mais insignificante partícula de vida
tem mais valor que tudo o que escrevi.

Vladimir Maiakóvski

(Tradução: Manuel de Seabra)

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Homem não chora...



Há Mais

Há mais de meia hora

Que estou sentado à secretária

Com o único intuito

De olhar para ela.

(Estes versos estão fora do meu ritmo.

Eu também estou fora do meu ritmo.)

Tinteiro grande à frente.

Canetas com aparos novos à frente.

Mais para cá papel muito limpo.

Ao lado esquerdo um volume da "Enciclopédia Britânica".

Ao lado direito —

Ah, ao lado direito

A faca de papel com que ontem

Não tive paciência para abrir completamente

O livro que me interessava e não lerei.

Quem pudesse sintonizar tudo isto!

Álvaro de Campos

(E não me lixem! Homem chora!)

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

O Amor quando se revela...

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...

Fernando Pessoa

quarta-feira, 3 de setembro de 2008


"The more you know the less you need to say."
Jim Rohn



"In the end, we will remember not the words of our enemies, but the silence of our friends."
Martin Luther King Jr.



"Our lives begin to end the day we become silent about things that matter."
Martin Luther King Jr.



"Of those who say nothing, few are silent."
Thomas Neill

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Fim de tarde...

Até já...

Sempre.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Apontamento...

A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.

Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.

Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada.
E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.

Não se zanguem com ela.
São tolerantes com ela.
O que era eu um vaso vazio?

Olham os cacos absurdamente conscientes,
Mas conscientes de si mesmos, não conscientes deles.

Olham e sorriem.
Sorriem tolerantes à criada involuntária.

Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.
Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.
A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
Um caco.
E os deuses olham-o especialmente, pois não sabem por que ficou ali.

Álvaro de Campos

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Entre o luar e o arvoredo...



Entre o luar e o arvoredo,
Entre o desejo e não pensar
Meu ser secreto vai a medo
Entre o arvoredo e o luar.
Tudo é longínquo, tudo é enredo.
Tudo é não ter nem encontrar.

Entre o que a brisa traz e a hora,
Entre o que foi e o que a alma faz,
Meu ser oculto já não chora
Entre a hora e o que a brisa traz.
Tudo não foi, tudo se ignora.
Tudo em silêncio se desfaz.

Fernando Pessoa

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Assim falava Zaratrusta...

«Alguns não conseguem afrouxar as suas próprias cadeias e, não obstante, conseguem libertar os seus amigos.»



«Um homem tem que estar preparado para se queimar na sua própria chama: como se pode renovar sem primeiro se transformar em cinzas?»

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Natal...


Chove. É dia de Natal.
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal,
E o frio que ainda é pior.
E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.
Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho frio e Natal não.
Deixo sentir a quem quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés.

Fernando Pessoa, Obra Poética

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

If You Were A Sailboat...



If you were a cowboy I would trail you,
If you were a piece of wood I'd nail you to the floor.
If you were a sail boat I would sail you to the shore.
If you were a river I would swim you,
If you were a house I would live in you all my days.
If you're a preacher I'd begin to change my ways.

Sometimes I believe in fate,
But the chances we create,
Always seem to ring more true.
You took a chance on loving me,
I took a chance on loving you.

If I was in jail I know you'd spring me
If I was a telephone you'd ring me all day long
If I was in pain I know you'd sing me soothing songs.

Sometimes I believe in fate,
But the chances we create,
Always seem to ring more true.
You took a chance on loving me,
I took a chance on loving you.

If I was hungry you would feed me
If I was in darkness you would lead me to the light
If I was a book I know you'd read me every night

If you were a cowboy I would trail you,
If you were a piece of wood I'd nail you to the floor.
If you were a sail boat I would sail you to the shore.
If you were a sail boat I would sail you to the shore


Katie Melua - If You Were A Sailboat

«Haverá quem lhe chame Insensatez... Eu chamo-lhe Amor!»

terça-feira, 18 de setembro de 2007

As "comadres"


Diz o povo, talvez "escaldado", zangam-se as comadres sabem-se as verdades. Daqui se depreende que não é conveniente a proximidade nem a excessiva confiança com elas. É habitual vê-las ao fim da tarde, juntas, nas esplanadas, nos adros de igreja, nas soleiras das portas, desenferrujando as línguas e dando asas à imaginação. As "comadres" são como as cerejas, umas puxam as outras e não existem sozinhas. Pior que duas "comadres", fazendo "corte e costura" em alguém que passa , só mesmo três "comadres" competindo na novidade e na má língua. Em qualquer caso faz parte do folclore social encontrar estes seres "alinhavando" a vida de terceiros com "fio moral", tecendo "camisas de arame" a alguém que segundo elas se desnorteou. Não adianta pensar que este tipo de personagem está condenado a desaparecer devido ao viver urbano. Mesmo na cidade as "cuscas", abreviatura de coscuvilheiras, continuarão a existir e a controlar as idas e vindas do comum dos mortais.
Elas sabem tudo. Os serviços secretos deveriam ter um contacto permanente com estas agentes à paisana, esta polícia moral de saias, saberiam por certo coisas em primeira mão e aprenderiam a "nobre arte de espreitar". O problema são os constantes aumentos, as distorções, as conjecturas no vazio. Deduzir a partir de pouco é um exercício só para "profissionais " de nariz e olho apurado. A "comadre" não nasceu assim, teve de treinar muito. As "comadres" são mais poderosas e mais visíveis no meio pequeno, a aldeia, a vila, a pequena cidade. Estes pequenos núcleos reúnem as melhores condições ambientais para a reprodução desta espécie. E não são necessárias grandes condições de "trabalho" para as ver felizes, desancando no seu semelhante, "metendo água" quando nem tudo se viu ou se soube. As "comadres" não fazem jornalismo, nem ciência, quando não sabem inventam.
As suas críticas, o seu escárnio e maldizer são feitos em círculos pequenos, sempre condimentados com cobardia e uma pitada de hipocrisia. Depois servido à mesa do chá com as amigas e passado de boca em boca em forma de "bolinho" envenenado. È esta a sina de quem nada mais tem que fazer. A sua existência é de um tédio absoluto, passam a vida aquecendo ao sol e fazendo "tricot" na vida alheia. Língua afiada e mão na malha, eis o lema de quem tece histórias que não assina por baixo. Alguém que passa ou alguém de quem se lembram, são motivos suficientes para pôr a cabeça, de dois tempos, a funcionar. E depois é mais fácil viver a vida dos outros que saber lidar com o que se passa lá em casa. E uma "comadre" que se preze sabe dissimular as verdadeiras amarguras que lhe corroem a alma. Com o mal alheio posso eu bem, diz com ar de gente sábia.

(Texto original de Carlos Adaixo in http://www.freipedro.pt/tb/130700/opin1.htm)


Qualquer semelhança com virtualidades não é certamente coincidência.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Estou cansado


Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto —
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo...
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente; eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.


Álvaro de Campos

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Súplica


Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.


Miguel Torga

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

These Are The Days Of Our Lives



Sometimes I get to feelin'
I was back in the old days - long ago
When we were kids, when we were young
Things seemed so perfect - you know ?
The days were endless, we were crazy - we were young
The sun was always shinin' - we just lived for fun
Sometimes it seems like lately - I just don't know
The rest of my life's been - just a show
Those were the days of our lives
The bad things in life were so few
Those days are all gone now but one thing is true
When I look and I find I still love you
You can't turn back the clock, you can't turn back the tide
Ain't that a shame ?
Ooh, I'd like to go back one time on a roller coaster ride
When life was just a game
No use in sitting and thinkin' on what you did
When you can lay back and enjoy it through your kids
Sometimes it seems like lately - I just don't know
Better sit back and go - with the flow
'Cos these are the days of our lives
They've flown in the swiftness of time
These days are all gone now but some things remain
When I look and I find - no change
Those were the days of our lives yeah
The bad things in life were so few
Those days are all gone now but one thing's still true
When I look and I find, I still love you
I still love you


Written by Queen. Sung by Freddie Mercury.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Profecia...



Nem me disseram ainda
para o que vim.
Se logro ou verdade
Se filho amado ou rejeitado.
mas sei
que quando cheguei
os meus olhos viram tudo
e tontos de gula ou espanto
renegaram tudo
e no meu sangue veias se abriram
noutro sangue...
A ele obedeço,
sempre,
a esse incitamento mudo.
Também sei
que hei-de perecer, exangue,
de excesso de desejar;
mas sinto
sempre,
que não posso recuar.


Fernando Namora

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Let Me Fall...



Let me fall
Let me climb
There's a moment when fear
And dreams must collide

Someone I am
Is waiting for courage
The one I want
The one I will become
Will catch me

So let me fall
If I must fall
I won't heed your warnings
I won't hear them

Let me fall
If I fall
Though the phoenix may
Or may not rise

I will dance so freely
Holding on to no one
You can hold me only
If you too will fall
Away from all these
Useless fears and chains

Someone I am
Is waiting for my courage
The one I want
The one I will become
Will catch me

So let me fall
If I must fall
I won't heed your warnings
I won't hear

Let me fall
If I fall
There's no reason
To miss this one chance
This perfect moment
Just let me fall

Josh Groban - Let Me Fall (From Cirque De Soleil)

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

A verdade...

Não me apetece escrever!

Claro que passo o dia a fazê-lo. Sem dúvida. Aqui porém a folha em branco tem tido o condão de me ensarilhar o pensamento em turbilhões de insanidade. Entro, sento-me, fixo o olhar no ecran e alguns (muitos) minutos depois saio sem ter tocado uma tecla que seja. Apenas o ratito se deslocou ao cantinho superior direito para verificar que ainda lá está, imperturbável e omnipresente o distico: - Terminar sessão.

Assumo com simplicidade que, a escrever, nada escreveria que despertasse interesse. Tal como assumo com naturalidade que ninguém viria ler mais umas letras mal amanhadas por um parolo armado em blogger.

Engraçada a sonoridade do termo blogger... Dito com ênfase até parece algo importante... Uma espécie de Senhor Presidente do Concelho de Administração em versão minimalista...

Sorrio à ideia, ao som e perco-me por aí. Por um recanto qualquer que um dia gostaria de colocar em letras neste ou outro fundo... Faz-me feliz ver as letras cabriolando no papel, ainda que hipoteticamente virtual como este, organizando-se como petizes em fila para saltar ao eixo...

Não digo mais baboseiras. Aquele senhor que ali está sentado acaba de me reduzir à minha condição de reles demente ao afirmar alto e bom som: - Este blogger droga-se com pica de oregãos e coentros! Dá na veia à força toda! Só pode! Felicidade nas letras? Chiça! O mundo está mesmo do avesso! Internem-no!

E tem razão. O sacana do mundo está cada vez mais do avesso e eu com ele. Esta costela solidária vai acabar por dar cabo de mim mais cedo ou mais tarde. Também, se não for ela será o malte... Objecto de estudo, análise e cumplicidade esse néctar dos deuses obriga-me a todo o tipo de manifestações de solidariedade com os seus produtores nas mais diversas origens, tipos e sabores... Louvado seja o Malte!

O ratito começa a deslocar-se em direcção à saída. Acompanho o movimento com o olhar mas não o impeço de atingir o seu objectivo.

A verdade é que não me apetece escrever!

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Ama-me por amor do Amor...

SONNET XIV

If thou must love me, let it be for nought
Except for love's sake only. Do not say
«I love her for her smile... her look... her way
Of speaking gently,... for a trick of thought

That falls in well with mine, and certes brought
A sense of pleasant ease on such a day» —
For these things in themselves, Belovèd, may
Be changed, or change for thee, — and love, so
[wrought,

May be unwrought so. Neither love me for
Thine own dear pity's wiping my cheeks dry, —
A creature might forget to weep, who bore

Thy comfort long, and lose thy love thereby!
But love me for love's sake, that evermore
Thou may'st love on, through love's eternity.

by Elizabeth Barrett Browning
http://www.readbookonline.net/readOnLine/2492/

É simples.

Apeteceu partilhar.

E, já agora, facilito a vida aos mais cansados...


SONETO XIV
Trad:. Manuel Bandeira

Ama-me por amor do amor somente
Não digas: «Amo-a pelo seu olhar,
O seu sorriso, o modo de falar
Honesto e brando. Amo-a porque se sente

Minh'alma em comunhão constantemente
Com a sua.» Porque pode mudar
Isso tudo, em si mesmo, ao perpassar
Do tempo, ou para ti unicamente.

Nem me ames pelo pranto que a bondade
De tuas mãos enxuga, pois se em mim
Secar, por teu conforto, esta vontade

De chorar, teu amor pode ter fim!
Ama-me por amor do amor, e assim
Me hás de querer por toda a eternidade.

Excelente fim de semana!